Antônio Grobus

julho 7, 2010

Os Caraíbas são a ameaça do mundo, todos sabemos disso. Infiltram-se na sociedade espalhando medo, terror, horror e pavor. Queremos acreditar que estamos seguros em nossos apartamentos trancadinhos, mas como levar uma vida tranquila sabendo que os Caraíbas estão à ronda? O professor Antônio Grobus está conosco para falar desse terrível problema. Boa noite, Dr. Grobus.

– Boa noite.

Pode-nos falar desse fenômeno que nos angustia profundamente, a volta dos Caraíbas?

– Sim. Primeiro cabe lembrar que a palavra Caraíba designa toscamente o fenômeno. Os Caraíbas podem ser divididos em 12 subgrupos, e esses em quatro sub-subgrupos cada, o que produz 48 subdivisões claras e perceptíveis. Já a outra cátedra tem uma teoria muito divertida – para dizer o mínimo – que os dividem…

‘Os’ quem, Dr. Grobus?

– Os caraíbas! Ora, quem…. Que dividem os Caraíbas em 57 sub-subdivisões, sem sequer agrupá-los em subdivisões. Hahá!

O que é engraçado, Dr. Grobus?

– É uma teoria absurda! Como é que pode haver sub-subdivisões se não há nem mesmo subdivisões? É simplesmente ridículo e altamente contestável.

Dr. Grobus, pode-nos explicar sucintamente porque a volta dos Caraíbas se deu e está se dando?

– Obviamente. Veja meu caro, estudo os hábitos, as tradições e as contradições dos Caraíbas há mais de 37 anos, portanto sei do que falo quando falo. Ao contrário da outra cátedra, que divaga em termos etnoglotos e seguem essa linha cosmogônica que eles auto-intitulam erroneamente levi-straussiana. É incompreensível, prepotente e diria mesmo ignóbil.

O senhor não respondeu a pergunta, Dr. Grobus.

– De facto. Qual seja?

Sobre a volta e a ameaça dos terríveis Caraíbas que paira sobre nossa pacata sociedade.

– Veja, para responder a esta questã, recorri a um método que se assemelha ao cartesiano, mas que além disso possui requintes casuísta-mecânico-deterministas. É um método que tem vida própria, tamanha a sua robustez. É versátil sem perder de vista a complexidade, é generoso sem abrir mão da eficácia. É um método pelo qual tenho muita estima, em suma.

E o que pregam suas elocubrações a respeito do retorno dos Caraíbas, Dr. Grobus?

– Exatamente o contrário do que insinua as teorias displicentemente ambíguas da outra cátedra, aquele bando de escroques!.. Exatamente o contrário, quero deixar claro, para que não restem dúvidas!


Charlinhos Matignon

junho 30, 2010

Até que enfim!

Depois de nove anos, Charlinhos Matignon acaba de lançar seu último livro “Vida é Bônus” publicado pelas Edições Castrador.  Charlinhos é surfista, médico sanitarista, poeta e escritor. Conte-nos Charlinhos qual é a ideia central de seu livro.

– Meu livro inspira-se nos clássicos gregos. Quero bascular as estruturas. Desde o princípio penso que o mundo é o que nós nos representamos, sabes?! De maneiras que não tive dificuldade para escrever este livro.

Charlinhos, o seu nome é considerado o grande expoente da literatura mundial ao lado de novos clássicos como Gomez de Atalaya, Burka Namadran e Gertrude Galiliu. Como é para você estar no Olimpo ao lado desses deuses?

– Veja, tudo isso é fruto de muito trabalho. O sucesso não tem odor. Encaro naturalmente as agruras da demência midiática. No mais, busco o prazer: sou hedonista, sabes?!

Conte-nos sobre seu affair com Cassandra Taylor.

– Cassandra é muito talentosa e tem muito carisma. Seu aparelho fotográfico é muito bem dotado.

Charlinhos, qual a sua cor predileta?

– Logicamente o azul Stravinsky.

Charlinhos, você tem computador portátil?

– Claro que tenho!

E telefone portátil?

– Claro que sim! Por quem você me toma?

Mudando de assunto, Charlinhos. Qual o futuro da literatura na sua opinião?

– A literatura será divertida, interessante e popular. É um fenômeno que se respalda cada vez mais. Tenho motivos para acreditar nisto.

Interessante… Charlinhos, as recentes descobertas de paleontólogos apontam para os profundos laços que nós, seres humanos, temos em relação a outros animais. Qual a sua opinião sobre esta polêmica?

–  Do ponto de vista ósseo, pode ser que sim. Mas não mais que isso. Acredito que entre nós e os animais há uma grande diferença que é a lucidez.

Charlinhos, como entender as recentes declarações depreciativas de Abraão Gorgógenes de Mello a respeito de seu trabalho?

– Abraão não tem mais o que fazer. Deveria é cuidar de sua própria vida e de seus problemas familiares que, aliás, não são poucos e dos quais eu sou causador.

Charlinhos, você tem hobbies??

– Surfar, ouvir músicas, praticar balonismo…

Balonismo???

– Sim, é um excelente esporte. Recomendo a todos. Também gosto de cricket.

Charlinhos, o que você sentiu no dia em que lhe enterraram vivo?

– Por favor, não quero falar sobre isso! Avisei no começo da entrevista.

Qual o lugar do mundo de que você gosta mais, Charlinhos?

– Nova Iorque… adoro Nova Iorque, aqueles prédios enormes, a vida agitada ah adoro Nova Iorque. Adoro Paris também. E Roma também.

E o lugar de que você menos gosta, qual é Charlinhos?

– Ah, Cubatão. Cubatão é muito poluído, muito feio. Nunca fui e não gosto de Cubatão.

Obrigado pela entrevista, Charlinhos.

– Não tem de quê.