Quintana

junho 16, 2010

Muita vez me entretenho em reconstruir de memória a nossa antiga casa paterna. Deixo-me estar no caramanchão, com sua mesa de pedra apanhando o sol coado pelas trepadeiras. Quanto aos longos corredores, será melhor que os evoque de noite, quando, no escuro do quarto, fico a imaginar que a noite de agora está cobrindo ainda a velha casa.

Sim! nesta época de grandes transformações arquitetônicas, a nossa alma teimosa continua morando nessas casas fantasmas.

Reconstruíram a cidade antiga, mas esqueceram-se de reconstruir as nossas almas. Daí, a instabilidade contemporânea.

Porque não somos contemporâneos de nós mesmos.

Porque, hoje, só podemos dizer com saudade aquele belo verso de Sainte-Beuve:

“Naître, vivre et mourir dans la même maison…”

Mário Quintana – A Vaca e o Hipogrifo

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