Sobre os Três Estados da Matéria

abril 30, 2014

O famoso detetive Zweifuss deu o caso por encerrado e entregou ao capitão de polícia Anastazius o relatório que se segue:

“Entrei na casa de endereço Rua Avestruz, 312 às 16:20. Subi ao quarto onde, segundo disseram-me, estava o corpo de Sr. Henrique Vaz. De fato, lá estava ele. Jazendo sobre a cama. Tinha a garganta cortada. O corte fora suficiente para tirar-lhe a vida. Nada muito horrível. Nada muito especial.

Vestia paletó, calça, estava de sapatos, etc. O que me assombrou na verdade foi perceber a quantidade de ar que o envolvia. Havia ar, muito ar. Percebi ao chacoalhar a mão perto do corpo e sentir o ventinho produzido pelo movimento. Provavelmente havia ar dentro do corpo também. Seu corpo estava praticamente todo exposto à atmosfera.

Analisei o ferimento. Seu sangue possuía, claro, coloração vermelha. Assustou-me o sangue ter forma fluida, quase líquida, embora endurecido aqui e acolá. Isso evidenciaria que o corpo tem composição líquida, provavelmente água. Ar é gasoso, água é líquida, vai vendo.

Em seguida botei a mão no peito do defunto. Fiz pressão, minha mão desceu um pouco e depois estancou. Isso prova que o corpo está em estado sólido.

Havia naquele quarto um espelho. Olhei para ele e nele me vi: era duro e ao mesmo tempo respirava. Chegando mais perto, vi lágrimas soltando-se de meus olhos. Eu também possuía os três estados da matéria.”

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